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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mar de Aral


Imagens mostram como estava o mar de Aral em 1973 (esq.), em 1999 (centro) e em 2009 (dir.)
Imagens feitas por satélites nos últimos 40 anos ajudam especialistas a entender as dramáticas mudanças no ambiente causadas pela ação do ser humano. Os registros mostram a seca de muitos corpos de águas ao redor do planeta, enquanto aumenta a demanda da humanidade pelos recursos hídricos. As informações são do Daily Mail.
Imagens registradas entre 1973 e 2009, por exemplo, registram o desaparecimento quase total do mar de Aral - que na verdade era um gigantesco lago de água salgada -, na Ásia Central, que tinha o tamanho da Irlanda e virou um grupo de lagos. Em abril, o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, disse que o Aral passava por "um dos maiores desastres ambientais do planeta".
O Aral, que fica entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, já foi o quarto maior lago do planeta. Contudo, desde os anos 60, ele perdeu mais da metade de seu volume. Os rios que alimenta o mar foram sobrecarregados por irrigações nas plantações de campos de algodão, ainda na época da União Soviética.
Além da falta de água, Aral sofre com poluição, que chegou a níveis perigosos. A destruição do lago também dizimou a indústria pesqueira local, causando desemprego e problemas econômicos para os moradores da região.
"Ultimamente, os desastres vistos no mar de Aral e nos pântanos são uma combinação dos efeitos do homem e do aumento da temperatura nessas regiões. (...) Não há uma grande mudança no volume de chuva nessas áreas, mas desde os anos 70 a temperatura subiu 1°C, o que aumenta as perdas devido à evaporação. (...) A poluição na área está ficando pior porque, enquanto a água evapora, poluentes na água ficam mais concentrados e menos diluídos", diz Benjamin Lloyd-Hughes, do Instituto Walker - instituição que pesquisa o sistema climático - e da Universidade de Reading, no Reino Unido, à reportagem.
Fonte : Portal Terra

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Coeficiente Gini ou Índice Gini

Coeficiente de Gini: parâmetro importante para verificar a distribuição de renda de um país

O que é ? Desenvolvido pelo matemático italiano Conrado Gini, o Coeficiente de Gini é um parâmetro internacional usado para medir a desigualdade de distribuição de renda entre os países.

O coeficiente varia entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo do zero menor é a desigualdade de renda num país, ou seja, melhor a distribuição de renda. Quanto mais próximo do um, maior a concentração de renda num país. O Índice de Gini do Brasil é de 54,4 (ou 0,544 relativo ao ano de 2008, divulgado em 2009) o que demonstra que nosso país tem uma alta concentração de renda ( décimo no rankingficando atrás apenas da Colômbia , Haiti e alguns paises africanos ).

Atualização 5/10/2010

O IBGE acaba de divulgar o indice Gini do Brasil de 2010 com base em 2009 . O instituto calculou o coeficiente Gini em 0,538 em 2009.

Numa comparação, os 20% mais ricosdo país possuem uma renda 27 vezes maior do que e os 20% mais pobres . Numa outra comparação, os 10% mais mais ricos tem um rendimento 57,8 vezes maior que os 10% mais pobres do Brasil.

O índice Gini do Brasil vem caindo lentamente ao longo das duas últimas décadas. Em 1991 era de 0,6366 e em 2005 =0,552
Índice de Gini de outros países:


- Argentina:0, 49 (2007)- China:0, 47 (2007)
- Alemanha:0, 27 (2006)- México:0, 47,9 (2006)
- Paraguai:0, 568 (2008)- Noruega: 0,25 (2008)
- Portugal: 0,385 (2008)- Estados Unidos: 0,45 (2007)
- França: 0,327 (2008)

Aquífero Guarani -Reserva de Preocupação

Olha aí pessoal da 3ª série ! para ajudar a fazer o trabalho...

Que o Brasil e o país com maior quantidade de água doce do mundo é fato mas você já ouviu falar do Aquífero Guarani ?

Menos de 1% da água doce disponível no mundo provém de fontes renováveis. Uma parte considerável dessa porcentagem está sob os pés de brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios. Na região que engloba o centro-sul do Brasil, o nordeste argentino, o Uruguai e o Paraguai localiza-se o Aqüífero Guarani, um gigantesco manancial de bilhões de litros de águas subterrâneas ainda pouco aproveitado. Ainda não se sabe com exatidão quanto desses recursos pode ser explorado e de que forma, mas já há polêmica em relação ao assunto. Ambientalistas preocupam-se com a sustentabilidade do aqüífero e com a soberania em relação a ele, enquanto os recursos já estão sendo utilizados nos quatro países.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Ambiental e Agropecuária (Embrapa), a água ali contida é de excelente qualidade e suficiente para abastecer a atual população brasileira por 2.500 anos. É a maior reserva de água doce subterrânea do mundo. Sua área se estende por 1,15 milhão de quilômetros quadrados, sendo a maior parte (71%) localizada sob território brasileiro. Em seguida vem a Argentina, com 19%. Paraguai tem 6% das águas do manancial e Uruguai, 4%. No Brasil, ele atinge os estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás
“O Aqüífero tem uma grande quantidade de água, mas não é essa maravilha toda. Números não significam muito. Ele não é um mar subterrâneo. Apesar de conexo, possui diferentes profundidades. É preciso analisar a viabilidade de uso e a capacidade de proteção do solo”, diz. Entre os estudos a serem feitos estão o custo de bombeamento, o impacto dessa ação no subsolo e a possibilidade de poluir a área. “Ao contrário de um rio, no Aqüífero, se poluir uma vez, os detritos ficarão lá para sempre" Paulo Canedo coordenador do Laboratório de Recursos Hídricos da Coppe-UFRJ

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente paulista, há mil poços apenas no estado de São Paulo. Para o governo paulista, a água subterrânea tem importante papel no abastecimento público de muitas cidades do estado . Muitos municipios paulistas são total ou parcialmente abastecidos por esse recurso hídrico, sendo Ribeirão Preto a única cidade de porte médio a ter todo seu consumo suprido pelo Aqüífero .Seu uso, no entanto, é questionado por Christian Caubet: “A cidade possui um consumo muito alto, que demanda muito do Aqüífero. É preciso rever esse padrão

A preocupação

A maioria dos poços que explora o Aqüífero Guarani foi feita justamente onde ele é protegido apenas pela rocha porosa de arenito. Por isso, esses poços necessitam de proteção permanente na sua entrada, para evitar a contaminação por água com dejetos de animais ou com esgoto doméstico. Para evitar contaminação futura, os poços têm de ser lacrados quando o cano se estraga, o que ocorre ao redor de 30 anos de uso.
Nas regiões agrícolas, há a preocupação com relação aos adubos químicos, herbicidas e pesticidas, que podem entrar pela rocha porosa e contaminar a água subterrânea.
Em maio de 2003 em Montevideu ,os presidentes dos quatro paises onde se localiza o aqüífero, assinaram um documento para monitorar e regulamentar a retirada da água. No Brasil, o órgão de acompanhamento do aqüífero é a Agência Nacional de Águas.
Segundo estudos as águas do Aquifero poderão ser usads ainda para:
Aquecimento -Em regiões onde o aqüífero é profundo, as fazendas poderão aproveitar a água naturalmente quente para combater geadas. Ou para reduzir o consumo de energia elétrica em chuveiros e aquecedores.
IrrigaçãoUsar água tão boa para regar plantas é um desperdício. Mas, segundo os geólogos, essa pode ser a única solução para lavoura em áreas em risco de desertificação, como o sul de Goiás e o oeste do Rio Grande do Sul.
AquedutoTransportar líquido a grandes distâncias é caro e acarreta perdas imensas por vazamento. Mas, para a cidade de São Paulo, que despeja 90% de seus esgotos nos rios, sem tratamento nenhum, o Guarani poderá, um dia, ser a única fonte.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

No Brasil, erradicar o analfabetismo é tarefa da natureza, não da educação


"Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam uma informação já conhecida: na área de educação, o Brasil ainda tem o grande desafio de erradicar o analfabetismo. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Pnad 2009, 9,7% das pessoas com 15 anos ou mais não sabia ler ou escrever - o que corresponde a 14,1 milhões de brasileiros. Em relação ao ano anterior, quando a taxa foi estimada em 10%, houve redução de apenas 1% - só 0,3 ponto porcentual. De 2004 para 2009, a cifra caiu 1,8 ponto porcentual.[...]

A taxa elevada de analfabetismo assusta. Pior: a velocidade com que ela é reduzida não é animadora, de acordo com Cláudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA. "O analfabetismo brasileiro está concentrado na população mais velha, e parte dessa população morre a cada ano: por isso, a taxa diminui pouco a pouco, lentamente, e a evolução vem mantendo o mesmo ritmo de queda", diz.

O especialista questiona, assim, o sucesso da própria política educional em seu objetivo de erradicar o analfabetismo. "Hoje, temos programas de alfabetização para jovens e adultos, mas eles têm um impacto muito pequeno nessas estatísticas, não podem ser apontados como responsáveis pela queda do número de iletrados", afirma. Por essa razão, alerta o especialista, extinguir o analfabetismo será uma tarefa da natureza, a ser realizada por meio do óbito das parcelas mais velhas da população.

Outro dado também deve ser levado em conta: como quase 100% das crianças na escola, apenas uma parcela muito pequena dos jovens hoje é considerada analfabeta. Contudo, o fato de estarem na escola não garante uma alfabetização completa. Segundo dados do próprio Pnad, a taxa de analfabetismo funcional entre pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 20,3% - 0,7 ponto porcentual menor do que a verificada em 2008 e 4,1 pontos porcentuais menor do que a de 2004. Essas pessoas não frequentaram a escola por mais de quatro anos.

Segmentação - A maior concentração de analfabetos ocorre entre os brasileiros que têm 25 anos ou mais: 92,6% deles estão nesse grupo. Entre as pessoas que têm 50 anos ou mais, a taxa chega a 21%. "Essa é uma parte da população que não teve condições de se educar e que hoje ainda tem dificuldade para deixar esta condição", afirma Cimar Azeredo Pereira, gerente de integração da Pnad.

O Nordeste é a região que apresenta a maior concentração de iletrados do país, com 18,7%. Já o Sudeste, tem a menor taxa: apenas 5,5%, ou 4,7 pontos porcentuais a menos que a média nacional."

Fonte : veja on line

Envelhecimento da população brasileira, Taxa de fecundidade e Distribuição Étnica

Depois de anos seguidos de queda , a taxa de fecundidade no Brasil volta a crescer. Observe os dados a seguir :


Taxa de fecundidade no Brasil, por ano
2001- 2,33
2002 -2,26
2003- 2,14
2004- 2,13
2005- 2,06
2006- 1,99
2007 -1,95
2008- 1,89
2009- 1,94



Como consequência direta da queda nas taxas de fecundidade nesta última década, o Brasil entrou num processo de envelhecimento da população, fato que pode ser constatado pelo quadro a seguir :
" A tendência de envelhecimento da população observada nos últimos anos foi refletida no crescimento da participação dos grupos etários.
A participação dos grupos compreendidos por pessoas de 0 a 24 anos totalizou 41,6% (79,8 milhões) em 2009; no ano de 2004, essa proporção foi de 46,3%. Em 2009, os grupos de idade de 25 a 39 anos, 40 a 59 anos e 60 anos ou mais corresponderam a 23,7% (45,4 milhões), 23,4% (44,8 milhões) e 11,3% (21,7 milhões), respectivamente, da população. Em 2004 foram, respectivamente, 22,9%, 21,1% e 9,7%.

No que se refere à cor ou raça, a população residente brasileira era composta, em 2009, por: 48,2% de pessoas que se declararam brancas; 6,9%, pretas; 44,2%, pardas; e 0,7%, amarelas e indígenas. Em relação a 2004, observou-se crescimento de dois pontos percentuais na proporção das pessoas que se declararam pardas, enquanto entre aquelas que se declararam brancas houve redução de 3,1 pontos percentuais. Regionalmente, as características conhecidas se mantiveram: na Região Sul, as pessoas brancas correspondiam a 78,5% da população residente e, nas Regiões Norte e Nordeste, as pessoas pardas atingiram 71,2% e 62,7% das respectivas populações residentes."

Fonte :Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Neoliberalismo

Neoliberalismo . Os noticiários de TV falam, os políticos debatem, pessoas discutem e se posicionam. E você sabe o que é? Bem, neo quer dizer novo e liberalismo significa liberdade logo, neoliberalismo é uma nova forma de liberdade. Mas, afinal que nova forma de liberdade é esta? Existia outra?

Para você entender melhor, que tal voltarmos um pouquinho no tempo?

As idéias liberais surgiram no final do século XVIII e princípios do XIX e defendia do ponto de vista econômico, um mercado livre, isto é um comércio sem restrições ou barreiras para trocas de mercadorias entre as nações . Esta política econômica foi defendida pelo economista Adam Smith e este conjunto de idéias, tanto político quanto econômico, ficou conhecido como Liberalismo clássico.

No século XX uma enorme crise econômica, acontecida em 1929 nos E.U.A levou a uma forte depressão na economia mundial atingindo quase todos os países .Você já deve ter ouvido falar da queda da bolsa de Nova York e da onda de desemprego que se seguiu !. A solução criada para resolver o problema foi o Estado voltar a interferir na economia . A partir daí o liberalismo econômico ficou fora de cena por décadas, sendo substituído por políticas onde o Estado estava sempre presente. Após a segunda grande guerra esta política se intensifica ainda mais com a chegada do que ficou conhecido como Estado do Bem Estar Social que criava o seguro desemprego , fazendo com que o trabalhador continuasse a consumir mesmo desempregado. Criava também grandes empresas que pertenciam ao governo chamadas empresas Estatais e promovia o fortalecimento dos sindicatos. Algumas décadas depois, após grande crescimento econômico os primeiros problemas começam a a

parecer como: enormes dívidas públicas, inflação, empresas públicas dando prejuízos e desempregados sem estímulos a procurar emprego sendo sustentados pelo Estado. Com a expansão do processo de globalização, após os anos 80, e o surgimento de crises econômicas em diversos países, as idéias liberais retornam com força porém com características , diferentes do liberalismo clássico e por isso foi chamado de Neoliberalismo.

O Inglaterra foi o primeiro país a adotar este programa já na década de 70. O governo da primeira ministra Margareth Thatcher serviu de modelo para outros governos que se seguiram como os Estados Unidos de Ronald Reagan e do Chile do general Pinochet . Com o

processo de globalização se intensificando ao final do século XX esta política cresce e praticamente domina o mundo, direcionando tanto as economias dos países desenvolvidos quanto a dos países subdesenvolvidos.

Agora veja quais são as características do Neoliberalismo!

O neoliberalismo prega a não intervenção do Estado na economia, a não ser para controlar as crises. Isto é o Estado deve atuar o mínimo possível na economia deixando o mercado funcionar livremente, de preferência apenas como regulador, garantindo sua estabilidade econômica. Ele não deve ser empresário e produzir mercadorias. A produção de riquezas como extração de minérios ou petróleo, controle de

serviços como telefonia e transportes em geral devem ficar a cargo das empresas particulares (chamadas de empresas privadas). Com isto, os governos neoliberais incentivam a expansão das empresas privadas , principalmente as conhecidas como transnacionais, pois estas são capazes de produzir mercadorias em maior quantidade e com preços mais competitivos. A venda das empresas públicas deve ser realizada e estas passam também a fazer parte do setor privado. Este processo chama-se privatização. Outra medida que faz parte da política neoliberal é a diminuição dos impostos, de tarifas alfandegárias ou outras restrições comerciais facilitando assim a entrada de produtos estrangeiros, aumentando a concorrência com os produtos nacionais e incentivando o comercio internacional

As políticas neoliberais foram introduzidas no Brasil durante o gove

rno Fernando Henrique Cardoso e continuam no atual governo de Luis Inácio lula da Silva.

sábado, 28 de agosto de 2010

Os Negros Rumo ao Topo


"Uma nova pesquisa revela que a população negra está ascendendo em velocidade jamais vista no Brasil e a educação superior tem sido um motor decisivo "
ROBERTA DE ABREU LIMA - revista VEJA

"Os negros chegaram ao topo da pirâmide social brasileira nos últimos dez anos em velocidade superior à de qualquer outro grupo de pessoas identificadas pelo Instituto Brasileiro de Geogratia e estatistica (IBGE) de acordo com a cor da pele. Enquanto o grupo de pessoas negras que atingiram o patamar de renda familiar mensal superior a 7000 reais cresceu 57%, o de indivíduos que se declaram brancos com os mesmos ganhos aumentou 17%. Esses dados constam de uma nova pesquisa da Fundação Getulio Vargas. Eles coroam um movimento de emergência social dos brasileiros negros que começou há cerca de dez anos"....
Típico representante do grupo, o engenheiro Sérgio Resende, 39 anos, não partiu exatamente do zero. Seus pais já haviam ascendido à classe média na cidade de Amargosa, no interior da Bahia, mas ele pertence à primeira geração do clã a conseguir ingressar numa universidade. Virou alvo de admiração. Hoje à frente de uma produtora musical em São Paulo, com faturamento superior a 3 milhões de reais por ano, Resende diz: “Reconheço que minha corrida teve um ponto de partida bastante favorável”.

A trajetória dos negros que hoje alcançam o topo é inédita não apenas pela quantidade de pessoas, mas também pelos caminhos seguidos para chegar lá. Tornou-se um estereótipo vazio e um dado insignificante em termos estatísticos a figura do negro que enriquece jogando futebol ou cantando e compondo. Os integrantes da nova classe alta chegaram ao ponto mais alto da pirâmide sem ter vindo ao mundo dotados de talentos incomuns. Eles simplesmente começaram sua trajetória ascendente de um patamar mais elevado, uma conquista de seus pais. São filhos e filhas de famílias que ascenderam socialmente há mais tempo. Essa é a característica comum aos personagens que ilustram as páginas desta reportagem. Não é a única. Ter tido acesso ao ensino superior foi também um fator poderoso de progresso pessoal.

No que diz respeito à universidade, tanto negros quanto brancos se beneficiaram de um fenômeno recente: a acirrada competição entre grupos de ensino superior que derrubou, em média, para a metade o custo das mensalidades. Mas, nessa subida da maré, nota-se uma diferença estatística marcante entre os dois grupos. Enquanto o número de brancos universitários dobrou, o de negros mais que triplicou nos últimos dez anos. Resume o economista Marcelo Neri, autor do estudo da FGV: “A educação superior está funcionando como um potente motor para a mobilidade social dos negros brasileiros em direção às camadas mais altas”.

Qual o papel das cotas e de outras políticas públicas especificamente destinadas às pessoas que se declaram negras no Brasil? Os estudos mostram que, por melhor que seja a intenção dos legisladores, os benefícios reais da intervenção estatal protetora foram inexpressivos. Os negros ascenderam pelo mérito e esforço individuais. No ensino superior, apenas oitenta de mais de 2 000 instituições adotam sistemas que beneficiam os negros, todas elas experiências que datam de 2002 para cá. “São ações isoladas e recentes demais para surtir qualquer efeito estatístico”, afirma o economista André Urani, um conhecido especialista no assunto. É interessante como essas ações estatais são superestimadas por seus promotores e pelos grupos de pressão que forçam sua aprovação.[...]
Uma das mais extensas pesquisas realizadas nos Estados Unidos para avaliar o efeito das medidas de ação afirmativa foi conduzida pelo economista negro Thomas Sowell em 2004. O estudioso comparou os resultados com experiências semelhantes levadas a cabo em quatro outros países, Índia, Malásia, Sri Lanka e Nigéria. Suas conclusões formam o mais racional e desapaixonado conjunto de razões para não adotar sistemas de cotas e outras leis discriminatórias. São elas:

• A ideia de temporariamente favorecer um grupo de pessoas em razão de sua raça é o primeiro passo para a eternização do racismo.

• Grupos não beneficiados pelas cotas são encorajados a cometer fraudes para obter as mesmas vantagens.

• A triagem por raça tende a favorecer os negros ricos, em prejuízo dos brancos mais pobres.

• O esforço em busca do maior desempenho individual é desencorajado tanto para negros (por desnecessário) quanto para brancos (por inútil), em prejuízo de toda a sociedade.

Os negros brasileiros que venceram obstáculos com sua própria força figuram também entre os críticos mais lúcidos das medidas de ação afirmativa. Formado em engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em finanças e com uma bem-sucedida carreira em multinacionais, o carioca André Oliveira, 52 anos, é um exemplo. Diz ele: “As cotas são um incentivo ao comodismo, e eu acredito na meritocracia. Varei muita madrugada para chegar onde estou”.

Além de revelar o ingresso dos negros nos estratos mais altos, o estudo da FGV registrou sua movimentação para cima por todos os estratos da pirâmide. É uma notícia animadora. Finalmente, os brasileiros de raça negra começam a acertar os ponteiros históricos com os brancos. A desvantagem comparativa acumulada ainda é grande. A taxa de analfabetismo entre os negros é de 13%, o dobro da dos brancos. No mercado de trabalho, essa desproporção se repete. Um levantamento feito pelo Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, mostrou que apenas 5% dos cargos de decisão nas grandes empresas são ocupados por executivos negros. Esse número em si não revela discriminação, pois a pesquisa não cita qual a porcentagem de executivos negros que começaram a carreira em condição de igualdade com os colegas brancos. Para entender a realidade, é preciso buscar referências comparativas. [...]

"O preconceito remonta a 1888, ano da abolição da escravatura no Brasil, medida tardia que denuncia o atraso das elites políticas, e não apenas por só ter sido tomada até séculos depois de outras nações terem tornado sua prática um crime. A Suécia o fez em 1335. Os Estados Unidos, em 1865. E já em 1683 a Espanha tinha proibido a escravidão em colônias na América. O Brasil fez tarde e malfeito, pois livrou os escravos dos grilhões, mas não moveu uma palha para prepará-los para sua nova condição. Isso levou a maioria à miséria absoluta, seguida da dissolução moral, e, óbvio, atraiu sobre eles a carga de preconceito que só agora começa a ceder. Conclui o sociólogo Simon Schwartzman: “Os atuais dados da mobilidade dos negros são, afinal, um indicador de civilidade da sociedade brasileira”.

De acordo com o IBGE, há 14 milhões de negros no Brasil. A metade deles já pertence à classe média. Incorporada ao mercado consumidor com o vigor típico dos recém-chegados, a nova classe emergente negra investe e empreende. Os que agora chegam ao topo compõem uma força de trabalho qualificada e produtiva. “Tudo isso amplia o potencial de crescimento e de geração de bem-estar de todo o país”, diz o economista Maílson da Nóbrega. A primeira negra a se tornar desembargadora federal no Brasil, em 2004, a baiana Neuza Maria Alves, 59 anos, foi criada pela mãe, que trabalhava como empregada doméstica. Neuza conseguiu, à custa de muito estudo e sacrifício, diplomar-se em direito e passar no concurso para juíza. Mãe de três jovens, ela diz: “Sei que meus filhos estão em condições infinitamente melhores que as que eu tive para sonhar alto”. Bom para eles — e também para o país.