SalaGeo

domingo, 13 de junho de 2010

Floresta da Tijuca ...a história do seu reflorestamento



O salageo abre um parêntese na Nossa Excursão Ecológica a pedra da Gávea para falar mais um pouco da história e do repovoamento da floresta da tijuca .

O plantio do café foi introduzido no Rio de Janeiro, em 1760, e logo despontou como uma atividade econômica promissora.O café encontrou na província do Rio de Janeiro e principalmente nas áreas mais elevadas dos morros cobertas com florestas, o ambiente apropriado para o seu plantio pois precisava de solos que não fossem nem secos nem encharcados e de temperaturas um pouco mais anemas ( O coffea Arábica tem sua origem nas regiões do planalto tropical da Etiópia/ África ) . Nesta época existia ainda, a crença de que o café deveria ser plantado em "mata virgem". A cafeicultura se espalhou então rapidamente por grande parte do Maciço da Tijuca causando forte desmatamento, o que trouxe consequencias desastrosas para o abastecimento de águas da cidade.

Acima a esquerda , um óleo sobre tela da região da Tijuca pintado em torno de 1820 por Nicolas Antoine Taunay. Ao lado a esquerda, outro óleo sobre tela do mesmo artista retratando a cascatinha da Tijuca. Do lado direito, o mesmo lugar hoje, foco de intensa visitação turística.

"O plantio do café foi associado a uma redução da disponibilidade de água, mudando inclusive o regime de chuvas generalizado pelo Rio de Janeiro. A cidade foi atingida por secas severas nos anos de 1824, 1829, 1833 e 1843, entremeadas com algumas estiagens menos graves.Foi no ano de 1843 que o problema periódico da falta d’água atingiu proporções críticas na cidade, fazendo com que o governo passasse a tomar medidas de preservação dos mananciais. Em 1844, o Ministério do Império, que administrava a cidade do Rio de Janeiro, finalmente deu início ao adiado processo de avaliar terras particulares das montanhas próximas. Entre 1845 e 1848 o governo imperial iniciara um programa emergencial de replantio de árvores na Tijuca ... As desapropriações só começaram em 1855. O governo imperial adquiriu um pequeno número de propriedades estrategicamente localizadas junto aos mananciais e altos cursos dos rios Carioca, Maracanã e Comprido. .... Em 1861, o Imperador D. Pedro II nomeia o major Manuel Archer como "Administrador da floresta dando início ao processo de restauração florestal. O major usava, mudas de plantas ao contrário de sementes ou árvores já crescidas. Em 1867, o Governo Imperial adquiriu mais propriedades de terras, ampliando a área potencial do projeto de reflorestamento .... Em 1873, o major Archer assina o relatório final do "Serviço Florestal da Tijuca que estabelece o número de 61.852 mudas plantadas em sua gestão. Mas existem suposições de que ele tenha plantado 20% a mais, e que o número de 72 mil mudas plantadas seja uma estimativa razoável".

fonte: www.revistacafeicultura.com.br/

O reflorestamento foi uma iniciativa pioneira em toda a América Latina.

Portanto durante treze anos o major Archer, trabalhando inicialmente com 6 escravos e posteriormente com com 22 trabalhadores assalariados , plantou cerca de 100 mil mudas ( há uma divergência quanto ao numero exato de mudas plantadas) de espécies nativas retiradas das fazendas vizinhas nas Paineiras, em Jacarepagua ou das matas virgens da região de Guaratiba junto ao litoral oeste da cidade.

Hoje, a Floresta da Tijuca ocupa uma área de 3.200 hectares encravada bem no centro da cidade do Rio de Janeiro. Um lugar procurado por turistas de todas as partes do mundo , ideal para passeios e prática esportivas. Apresenta uma exuberante mata (faz parte da Mata Atlãntica ) , trilhas, cachoeiras, grutas e picos. Foi criada em 1861 e integra o Parque Nacional da Tijuca,com a Serra da Carioca e o Maciço da Gávea.

Ruínas de uma antiga fazenda de café em meio a floresta na porção da região da pedra da Gávea , testemunhas dos velhos tempos da cafeicultura no local.

Nenhum comentário:

Postar um comentário